Thursday, March 04, 2010

Caso 83




Era um daqueles dias em que o tempo estava assim para o coiso, uma manhã igual a todas as outras naquela época do ano, em que o céu aparece da forma que se espera, com uma temperatura que se pode considerar normal, embora, com o aquecimento global, aquilo que se considera normal não é exactamente aquilo que normalmente acontecia quando a temperatura estava normal: podia dissecar melhor a questão, mas presumo que o meu bom aluno já percebeu como estava aquela tarde!
Ana Catarina era uma pirralha com uma enorme verruga no nariz, sem três dentes na frente, ligeiramente obesa, com um terrível odor dos pés, mas, tirando essas ligeiras imperfeições, era uma linda e sensual rapariga, apesar do nariz empinado e mau feitio! O amor da sua vida, esse mês, era o José M., um rapper do restolho, um ser sensual, com tatuagens a dizer Turismo 4ever, conhecido entre os amigos, pelo Camarinha da Planície! Ele enganou-a e disse-lhe que tinha namorado com a Soraia de Chaves e ela, nesse instante, beijou-o apaixonadamente! Porque precisavam de dinheiro para ir curtir para o Carnaval de Sines, ela seduziu-o de forma a convence-lo a irem burlar a velha do outro caso prático: mas, no último instante, ele desistiu!
Estava rico! Um outro velho muito velho, meteu na cabeça que era pai dele e doou-lhe uma enorme fortuna! Agora que era um homem muito rico, José M. fez o que fazem todos os homens bons muito ricos: comprou um descapotável daqueles que abrem a capota e recauchutou a namorada, trocando Ana Catarina por Cabralina, não sem antes, simular estar muito doente, por razões realmente divertidas, mas que não posso contar.
Ana Catarina ao descobrir que a traição, que a viagem que José M. lhe ofereceu, era apenas com bilhete de ida, ficou amarela de raiva e resolveu vingar-se! Aproveitando que ele estava a dormir, pendurou-o no tecto pelos pés, durante 24 h, de forma a ele reflectir na maldade que tinha feito! Quando ela voltou para o soltar, o pior tinha acontecido: José M. nesse dia tinha almoçado uma feijoada, curiosamente com feijão, teve uma indigestão e morreu!
No funeral Ana Catarina e Cabralina conheceram-se e ainda hoje vivem felizes para sempre!
Quid Juris

2 comments:

Catarina Rodrigues said...

Uma verdadeira pérola, este blog. Com uma nova forma de ensinar, traz melhor disposição a quem aprende. E sem dúvida alguma, combate aquele mito que a muitos faz crer que para se ensinar/aprender Direito, tem de se ser sisudo e carrancudo.
Muitos parabéns!

Hugo Lança Silva said...

Muito Obrigado, Catarina!