Tuesday, May 16, 2006

Caso 8

Florentina é a mais rabina das quatro petizes do casal Clementino e Clementina Silva e Silva. Desde a mais tenra idade que demonstrou peculiar inteligência e apetência para fazer tudo aquilo que era suposto não fazer, bem ao contrário dos seus consanguíneos, educados praticantes da mais benemérita e ortodoxa moral cristã.
Por tudo, foi sem surpresa que a presente história foi classificada como verídica e percorre as bocas travessas da pequena aldeia que a viu nascer. Importa contextualizar, informando que Flo (como era conhecida de quem a viu tornar-se uma deslumbrante mulher, de longas pernas, melena morena, olhos pretos penetrantes e sorriso fulminante para os desprotegidos membros do sexo oposto, pelo menos) deixou a aldeia à décima primeira badalada do seu décimo sétimo aniversário. (é irrelevante para o caso, mas sempre se conta que, qual paradoxo, Flo nascera exactamente às 00.00 do dia 25 de Dezembro, pelas mãos de uma parteira pouco sóbria, que trocara a bata branca, pelo fato encarnado do Pai Natal).
Mas regressemos à nossa Flo e deixo-vos aqui a história, tal qual me foi contada por um velho cauteleiro, na esplanada vazia, na praça principal, de uma pequena aldeia do interior alentejano que, por pudor, me abstenho de mencionar. Os relatos (talvez maledicentes) iniciam com o seu casamento com um Conde Austríaco que, de férias em Sintra, trocou as queijadas locais, pelo arroz doce alentejano (como carinhosamente designava a nossa Flo); para alcançar este casamento de princesa, Flo não hesitou em reunir uma interminável colecção de mentiras, predisposta para reunir em si as mais insignes qualidades.
O período de mel do casamento foi inferior a uma semana; aliás, por apego à verdade, podemos mesmo afirmar que na própria noite de núpcias o decrépito (mas sumamente rico) Conde começou a interiorizar o fel do casamento; antes da consumação do matrimónio Flo exigiu que o Conde assinasse um contrato em que se obrigava a pagar determinada importância em troca de relações sexuais.
Logo na primeira semana, Flo exigiu-lhe um carro, topo de gama mas descapotável, em amarelo vivo - porque a discrição não serve para a descrever – ameaçando-o, em caso de recusa, de contactar as revistas de famosos, denegrindo as suas capacidades… matrimoniais. Com receio da sua honra ser atentada, o Conde dirigiu-se nervosamente a um stand situado na Serra da Malveira, com o intuito de adquirir o veiculo exigido pela exigente esposa; por ter dificuldades de expressão em Português, o vendedor vendeu-lhe como novo um carro usado (aproveitando-se dos parcos conhecimentos do Conde que se dirigiu para o sector dos carros usados, o vendedor não o informou deste facto e vendeu-lhe um carro com 1 ano) e uma semana de Time Sharing (o incauto Conde adquiriu este direito ao assinar uma documentação que presumia ser relativa à compra do carro).
Ao regressar a casa com o descapotável amarelo, conduzido pelo seu motorista Barbas, a insaciável Flo agrediu-o fisicamente ao constatar que o carro não era novo.
Dias depois, fingindo lágrimas que não eram suas, Flo pediu ao desconsolado marido Euros 15.000,00 para realizar uma operação plástica, de forma a melhorar o seu aspecto físico; o Conde anuiu e acompanhou-a ao consultório médico sem perceber, em nenhum momento que o dinheiro que pagou seria repartido entre a esposa e o médico, sem realização de qualquer operação.
Por este dinheiro ter desaparecido do património de Flo com a rapidez com que entrou, a nossa heroína exigiu ao Conde mais dinheiro. Perante a recusa, não hesitou em dizer que o ia mandar matar: com o persuasivo argumento o Conde condescendeu em entregar-lhe o numerário.
Encantada com o procedimento, três semanas volvidas, munida de um sabre exigiu que o Conde lhe doasse uma mansão, ao que este anuiu, tolhido pelo pânico.

2 comments:

Anonymous said...

bom comeco

Anonymous said...

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